Defesa Francesa
O contra-ataque de quem aceita um bispo ruim para brigar pelo centro
6 Capítulos · 22 exercícios
Origem
A Francesa nasce com 1.e4 e6 e ganhou esse nome depois do match por correspondência de 1834 entre Paris e Londres, em que a equipe parisiense a usou. No século XX ela se tornou arma de campeões e de especialistas: Botvinnik a empregou em matches de título, Wolfgang Uhlmann e Viktor Korchnoi construíram carreiras sobre ela, e mais tarde Nigel Short, Alexander Morozevich e Nikita Vitiugov mantiveram sua reputação.
Por que funciona
Com 1...e6 as pretas preparam 2...d5 para desafiar o peão branco de e4 imediatamente, sem permitir que ele fique livre no centro. Quando as brancas avançam 3.e5, a estrutura fecha e o jogo vira uma disputa de planos claros: as pretas atacam a base da cadeia com ...c5 e ...f6, as brancas jogam na ala do rei. Quando as brancas trocam ou defendem o centro, aparecem estruturas simétricas ou peão isolado, e as pretas obtêm peças ativas. É uma abertura de planos memorizáveis: quase todo lance preto tem endereço — a casa d5, o peão de d4, as casas pretas abandonadas pelo bispo do Winawer.
A favor
- +As pretas desafiam o centro branco já no segundo lance e raramente ficam sem contrajogo concreto.
- +Os planos são estruturais e repetitivos: ...c5, ...f6, pressão sobre d4 e sobre a casa d5.
- +Rende posições fechadas e ricas em que o jogador mais preparado na estrutura decide o jogo.
- +Cobre 1.e4 com um único sistema, incluindo as tentativas de fuga como 2.Qe2, 2.b4 e o Ataque Índio do Rei.
O preço
- −O bispo de c8 fica trancado atrás do peão de e6 e resolvê-lo custa lances e, às vezes, concessões.
- −A Variante do Avanço deixa as pretas apertadas: sem ...c5 e ...f6 no momento certo, o espaço branco sufoca.
- −O Winawer exige teoria pesada e coragem para entrar em linhas como o Peão Envenenado, onde um erro é fatal.
- −Contra a Variante da Troca as pretas precisam aceitar posições secas e jogar por vantagem mínima.
Capítulos
1Os primeiros lances e as tentativas de desvioAqui você vê por que 1...e6 antecede 2...d5 e como responder às escolhas mais diretas das brancas: a troca 3.exd5, o avanço 3.e5, além de 2.Qe2 (Chigorin), o Wing Gambit 2.b4 e o Ataque Índio do Rei. São as linhas em que a teoria é curta e a compreensão dos planos já basta.0/5
2Trocar em e4: Rubinstein, Burn e Fort KnoxO caminho mais sólido: as pretas capturam em e4 e abrem mão de espaço para ficar sem fraquezas. Você aprende o 3...dxe4 de Rubinstein, o 4...dxe4 de Burn depois de 4.Bg5, e o esquema Fort Knox com 4...Bd7 seguido de ...Bc6, que resolve o problema do bispo de casas claras.0/3
3A Variante Tarrasch (3.Nd2)Com 3.Nd2 as brancas evitam o Winawer e mantêm o centro. As pretas escolhem entre 3...c5, que costuma levar a estruturas de peão isolado com peças ativas, e 3...Nf6, que fecha o centro com 4.e5 Nfd7 e prepara o ataque à cadeia. Este capítulo ensina a decidir entre jogo aberto e jogo fechado.0/3
4A cadeia de peões e o Gambito Milner-BarryVolta-se ao avanço 3.e5, agora em profundidade: como as brancas sustentam d4 com c3 e Nf3 e como as pretas martelam com ...c5, ...Qb6 e ...Nc6. Fecha com o Gambito Milner-Barry, em que as brancas entregam o peão de d4 por iniciativa nas casas claras — é preciso saber devolver o material na hora certa.0/2
5A Clássica: 3.Nc3 Nf6 e o ataque de h4Com 3...Nf6 as pretas convidam 4.e5 (Steinitz) ou 4.Bg5, e daí saem três tratamentos distintos: o recuo 4...Be7 à moda de Korchnoi, o agressivo 4...Bb4 de McCutcheon e a arriscada aceitação do peão no Ataque Alekhine-Chatard, com 6.h4. O nível de cálculo sobe bastante aqui.0/4
6O Winawer: bispo por estruturaO coração teórico da Francesa: 3...Bb4 e a troca em c3, que deixa as brancas com peões dobrados na coluna c em troca do par de bispos e das casas pretas. Você estuda a linha principal, as ideias com ...Qa5, o plano com 6...Nc6 e termina no Peão Envenenado, a linha mais afiada e exigente de todo o curso.0/5